Ariel Ferreira

Até Aqui 
Curadoria: Júlio Martins


20 de julho a 8 de setembro de 2019

Ariel Ferreira nasceu em Montes Claros-MG em 1982. Quando criança, sua família mudou diversas vezes para outras cidades do interior e depois para Belo Horizonte. Estudou sempre em escolas da rede pública. A partir de 2000 passa a morar no centro da capital e a cursar Belas Artes na UFMG, habilitando-se em Gravura. Seu trabalho é dirigido cada vez mais ao espaço público e às intervenções. Participou de várias exposições coletivas, no Palácio das Artes, no Sesiminas, na Galeria da Copasa, na UFOP. Fez o mestrado (até 2009) sobre projetos inconclusos de arte e o doutorado (até 2015) sobre o próprio trabalho artístico e referências sobre o Romantismo, ambos pela Escola de Belas Artes – UFMG. Trabalhou diversas vezes como arte-educador em Belo Horizonte e na Bienal de São Paulo (2016). Participou da Bolsa Pampulha em 2008, do Rumos Itaú Cultural em 2009 e da residência JA.CA Praça 7 em 2014.

PROJETO

Este projeto, chamado Até Aqui, é dividido em quatro etapas. As duas primeiras são em princípio desconhecidas pelo público que hoje visita a exposição e, as outras duas, ainda não fiz. Primeiro eu coletei terra e rochas de Minas; segundo, usei essa terra como pigmento e preparei tintas; terceiro, pintarei as paredes da galeria até onde meu corpo alcançar; quarto, durante a última semana de exposição, repintarei as paredes com seu branco original com tinta de parede branca.


1- A partir de curtas viagens a cidades em torno de Belo Horizonte, coletei terras e rochas das quais extrai pigmentos para a feitura de tintas. Coletei terra da poeira do chão e da beira de estradas, seixos de rio e rochas dos barrancos e das encostas: de Caeté, Santa Bárbara (comunidade André do Mato Dentro), Nova Lima, Rio Acima, Brumadinho, Serra do Rola Moça, Serra da Moeda, Serra do Gandarela, no ameaçado Córrego do Feijão e no Rio São João.

2- Moí, soquei e peneirei as coletas, misturei-as com resina acrílica e fiz testes (não fiz misturas das tintas entre si para manter a qualidade das cores, a serem vertidas a posteriori em pinceladas). Esses testes estão colados dentro de um diário de bordo, acrescidos de registros fotográficos das viagens. O diário de bordo, escaneado em PDF, pode ser visualizado e baixado da internet.

3- Munido das tintas preparadas e pincéis, por sete dias no interior da Galeria 2 do Memorial da Vale, pintarei todas as paredes disponíveis, cobrindo por completo a superfície a que meu corpo sobre o chão seja acessível. Como regra não me utilizarei de hastes para os pincéis, nem bancos ou escadas que estendam meu alcance às paredes. O limite da pintura corresponde à estatura de meu corpo no espaço dado, mediado por tinta e pincel. Defino, aqui, a pintura como o registro de uma performance que investiga a escala humana. O procedimento da performance deve ser determinado pelas quatro posturas adotadas por meu corpo durante o trabalho no espaço da galeria, condicionando as faixas de pinceladas em: a) agachado, para pintar o rodapé até a altura de minha cabeça quando estou nessa posição; b) com a coluna ereta e em pé, da altura do meu braço até a altura da cabeça (eu meço 172 cm); c) aproximadamente da altura do topo da minha cabeça até a altura da minha mão, quando meu braço está completamente erguido (por volta de 214 cm); d) do último registro até a altura máxima que atinge meu corpo, na ponta dos pés, segurando um pincel de dimensões comuns.     


O que pode um corpo humano? Até hoje, ninguém soube responder. A pintura site-especific por mim elaborada, até aqui, pretende, por meio de dimensões humanas (as minhas próprias, no caso), produzir algo que seja sentido como que produzido por uma escala maior que a humana. Menor que das máquinas, das linhas de ferro, das montanhas e rios que deixam de existir de um dia para o outro, é verdade, mas maior que um homem, como eu, que mede 172 centímetros com os pés no solo.


4- Durante a última semana de exposição, irei apagar todo o trabalho dentro da Galeria 2.  Irei pintar de branco, com rolos e tinta vendida no varejo, as paredes antes por mim pintadas com a cor da terra e findar a exposição, deixando a galeria com o mesmo aspecto no qual a encontrei. Durante a pintura do cubo branco,  disponibilizo-me a conversar e a discutir com o público presente sobre o projeto Até Aqui: suas etapas, suas descobertas, suas conexões com outras pesquisas, seus limites e contradições ou a pura contemplação da paleta de nossa terra. Convido também o público a participar da desmontagem da instalação. Meu trabalho merece críticas e eu estarei pronto para recebê-las, trabalhando. 


             Ariel, Belo Horizonte, 10 de julho de 2019.

MAPA E LEGENDA

DAS OBRAS

1) Caos e Retrocesso
Videoinstalação, 2019
Projeção em looping

2) Bacia Artificial Lagoa da Pampulha
Pintura a guache sobre fotografia, 2008-2014
216 x 118 cm

3) Sem Título nº 2 (belo horizonte não é aqui, sobre o antigo Elevado)
Pintura acrílica, intervenção urbana e fotografia, 2014
Registros impressos, 14 x 20 cm cada;

4) O Leviano
Vídeo, 2007
5 min

5) Até Aqui
Performance e instalação, 2019
Site-specific

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